O filósofo moçambicano Severino Ngoenha lançou em Maputo a segunda edição de Mukhatchanadas – Filosofia Africana em Fragmentos, obra revista e ampliada que privilegia uma escrita acessível sem abdicar da profundidade filosófica. Ngoenha defendeu a necessidade de pensar o Moçambique que há de ser, transformando crítica em construção e herança em projecto. O apresentador Dionísio …
Severino Ngoenha lança segunda edição de Mukhatchanadas como apelo ao futuro de Moçambique

Num tempo em que o ruído social parece sobrepor-se ao pensamento crítico, o filósofo moçambicano Severino Ngoenha voltou a apostar na palavra como instrumento de reflexão e transformação.
Foi no Anfiteatro José Luís Cabaço, na Universidade Técnica de Moçambique, que o académico lançou a segunda edição de Filosofia Africana em Fragmentos: Mukhatchanadas, obra revista e ampliada que reforça o diálogo entre gerações e questiona o destino colectivo do País.
“O Mukhatchanadas é uma tentativa quase desesperada de comunicar. Não há nada pior do que um pensamento que não é transmitido ou que não é apreendido ou um livro que não é lido. Quando escrevemos livros com formatura clássica, muitas vezes as pessoas não leem. Então, procuramos novas maneiras de chegar ao nosso leitor”, afirmou Severino Ngoenha.
A nova edição mantém o formato fragmentado que caracteriza a obra, privilegiando uma escrita acessível, mas sem abdicar da profundidade filosófica.
Pensar o Moçambique que há-de ser
Num País marcado por memórias dolorosas e desafios persistentes, Ngoenha defende a necessidade de ousadia intelectual e responsabilidade geracional.
“Há esta necessidade de continuar a pensar no Moçambique que foi, que é, mas que sobretudo tem que ser. E só pode ser se formos capazes de passar o testemunho aos mais novos e estes não se limitarem a criticar, mas a partir do que existe fazer melhor”, sublinhou Severino Ngoenha.
Para o autor, o futuro de Moçambique depende da capacidade de transformar crítica em construção, herança em projecto.
Liberdade como questão central
O apresentador da obra, Dionísio Bahule, destacou que Mukhatchanadas é, acima de tudo, um livro sobre o futuro e sobre a liberdade enquanto construção colectiva.
“É um livro bifurcado para questões sociais e questões de futuro. É também uma pergunta sobre a liberdade, a liberdade como um modo colectivo de ser, de regressar a casa, como um estatuto universal”, afirmou Dionísio Bahule.
Chancelada pela Ethale Publishing, a obra reafirma que a filosofia não é um luxo académico distante da realidade, mas uma ferramenta essencial para compreender o presente e projectar o futuro.



