Selma Uamusse dá voz a Mia Couto em novo áudio‑livro

A cantora e activista Selma Uamusse dá voz ao novo áudio livro de Mia Couto, A Cegueira do Rio, publicado em 2024 pela Fundação Fernando Leite Couto e pela editora Caminho. A obra revisita memórias da Primeira Guerra Mundial e das feridas coloniais no Norte de Moçambique, propondo múltiplas perspectivas locais sobre a história. Selma …

A cantora e activista Selma Uamusse é a narradora da versão áudio‑livro de A Cegueira do Rio, obra mais recente do escritor moçambicano Mia Couto.

Em declarações à Lusa, Selma Uamusse, também presidente da ONG Helpo, afirmou que “a literatura nem sempre está acessível a todas as pessoas” e destacou a importância dos áudio‑livros para quem não pode ler.

A artista considera que o áudio‑livro “faz parte do futuro mas que não é só o futuro”, acrescentando que fica “contentemente em poder fazer parte desse futuro, mas que ele não se encerre só nessa escuta”.

Modalidade complementar

Selma sublinhou que, para quem tem acesso ao livro em papel, o áudio‑livro deve ser visto como uma modalidade complementar: “Que seja mais uma modalidade que aumente o alcance daquilo que é a literatura no contexto actual, em que se calhar temos pouco tempo, em que temos a possibilidade de caminhar e ouvir, e ter acesso a esse livro”.

“É obviamente abre uma nova possibilidade de aumentar o número de leitores, e neste caso, o número de ouvintes de literatura”, concluiu.

Selma descreveu Mia Couto como um escritor notável: “É muito desafiante, conecta‑se com todas as realidades com aquele lado meio de fábula e fantástico que ele nos consegue transmitir através da sua escrita”.

Sobre a experiência de narrar A Cegueira do Rio, acrescentou: “Mia levou‑me para casa e isso é algo que me deixa sempre muito, muito, feliz quando o leio. Aceitei fazer com imensa responsabilidade e com imenso orgulho”.

A obra e o contexto histórico

A Cegueira do Rio foi publicado em 2024 pela Fundação Fernando Leite Couto em Moçambique e pela editora Caminho em Portugal. A narrativa decorre numa aldeia do norte de Moçambique invadida por tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial, após o massacre de Maji‑Maji na fronteira entre a Tanzânia e Niassa.

Mia Couto critica a tendência de criação de “uma versão única da história”, propondo múltiplas perspectivas sobre os acontecimentos.

Este é o quarto título de Mia Couto em versão áudio‑livro em língua portuguesa, juntando‑se a O Mapeador de Ausências, Contos do Nascer da Terra e Contos de Natal – O Fio das Missangas.

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