O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu em Maputo a cidadã Cecília Sebastião Mathe, conhecida como Avó Cecília, para reconhecer o seu trabalho na promoção da leitura e da cultura. Residente na Mafalala, Avó Cecília dinamiza a Biblioteca Angola, uma biblioteca móvel que leva livros a comunidades e escolas, incentivando hábitos de leitura entre …
Avó Cecília é recebida pelo Presidente da República pelo seu trabalho em prol da educação e cultura

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu, na manhã desta quarta-feira (08), a cidadã moçambicana Cecília Sebastião Mathe, carinhosamente conhecida por Avó Cecília, para manifestar a sua admiração pelo trabalho que desenvolve na promoção do livro e do gosto pela leitura em Moçambique.
Durante o encontro, o Chefe de Estado enalteceu o empenho e a dedicação de Avó Cecília, destacando o impacto positivo da sua acção junto das crianças. O Presidente Chapo encorajou-a a prosseguir com a sua missão, afirmando: “Nós estamos consigo, Vovó Cecília.”
Residente no Bairro da Mafalala, na cidade de Maputo, Avó Cecília é responsável pelo acervo bibliográfico denominado Biblioteca Avó Cecília, espaço através do qual incentiva hábitos de leitura, sobretudo entre os mais jovens.
Durante a audiência, a cidadã apresentou com maior detalhe os projectos que vem desenvolvendo, explicando que a sua acção assenta actualmente numa biblioteca móvel, denominada Biblioteca Angola, através da qual leva livros a diversas comunidades.
“A mensagem é o gosto pela leitura. Eu tenho uma biblioteca móvel, chamada Biblioteca Angola, que é para todos, mas principalmente para o público infanto-juvenil”, afirmou.
O projecto tem permitido alcançar crianças e estudantes de diferentes níveis de ensino, com particular incidência para alunos da 1.ª à 11.ª classe.
“As crianças têm vindo, os jovens também aparecem, embora em menor número, mas o foco principal são os estudantes, desde os mais pequenos até à 11.ª classe”, explicou.
Relativamente ao acervo bibliográfico, Avó Cecília destacou que este resulta, em grande medida, de esforço pessoal, complementado por contribuições solidárias.
“Eu compro os livros, mas ultimamente tenho tido muitas ofertas. Há pessoas e iniciativas que têm contribuído, o que ajuda muito a fortalecer a biblioteca”, sublinhou.
A cidadã reiterou a importância de incutir o hábito de leitura desde a infância:
“Por ser de pequeno que se torce o pepino, prefiro trabalhar com as crianças que, nesta era de crescente digitalização, têm cada vez menos incentivos à leitura.”
Planos futuros e formação
Sobre a visão de futuro, Avó Cecília manifestou o desejo de evoluir da actual biblioteca móvel para uma infra-estrutura permanente:
“O meu sonho é ter uma biblioteca fixa, não apenas móvel. Quero um espaço próprio, voltado essencialmente para o público infanto-juvenil.”
Destacou também a sua ligação à educação, referindo que, para além da formação como bibliotecária, já exerceu funções como professora e continua, sempre que possível, a apoiar o processo de aprendizagem.
“Para mim, ser bibliotecária é também ser um pouco professora. Já fui professora e continuo a dar algum apoio básico às crianças”, disse.
Actualmente com 76 anos de idade, Avó Cecília é reformada da função pública, tendo sido quadro da Biblioteca Nacional, em Maputo. Há 11 anos concluiu a licenciatura em Gestão e Estudos Culturais pelo Instituto Superior de Arte e Cultura (ISARC), no Município da Matola, aos 65 anos, demonstrando o seu contínuo compromisso com o conhecimento e a valorização da cultura.
Com esta iniciativa, Avó Cecília reafirma o seu compromisso com a promoção da leitura, da educação e do acesso ao conhecimento, pilares fundamentais para o desenvolvimento social e cultural do país.



