O filme moçambicano Ancoradouro do Tempo, realizado por João Luís Sol de Carvalho e inspirado no romance A Varanda do Frangipani de Mia Couto, foi escolhido para inaugurar a 17.ª edição do African Film Festival 2026, em Bayreuth, Alemanha. A obra, rodada em Moçambique, Portugal, Cabo Verde e Espanha, já recebeu prémios internacionais e será …
Filme moçambicano inaugura African Film Festival 2026 em Bayreuth

O filme moçambicano Ancoradouro do Tempo, realizado por João Luís Sol de Carvalho, foi escolhido para abrir a 17.ª edição do African Film Festival 2026, que decorre na cidade de Bayreuth, Alemanha.
O festival, dedicado à celebração da vitalidade artística e da riqueza narrativa do cinema africano, reúne obras que atravessam géneros, geografias e contextos históricos.
“Mais do que uma mostra de filmes, o Cinema África promove o intercâmbio cultural, o envolvimento crítico e a interacção comunitária”, disse a organização do festival.
A exibição de Ancoradouro do Tempo será seguida por uma sessão especial sobre a criação da banda sonora, o diálogo entre música e cinema e as narrativas moçambicanas presentes na obra.
Baseado no romance A Varanda do Frangipani (1996), de Mia Couto, o filme acompanha Izidine, um jovem inspector da Polícia, chamado a investigar um crime numa antiga fortaleza colonial transformada em asilo.
Rodado em Moçambique, Portugal, Cabo Verde e Espanha, o filme teve estreia oficial em Maputo e já arrecadou distinções internacionais, incluindo um prémio especial atribuído por empresários espanhóis e o galardão de Melhor Narrativa Audiovisual no Festival Djar Fogo, em Cabo Verde.
“É uma obra que cruza geografias e memórias, com uma estética profundamente moçambicana”, afirmou Sol de Carvalho.
Sol de Carvalho: entre jornalismo e cinema
Nascido em 1953 na cidade da Beira, Sol de Carvalho estudou no Conservatório Nacional de Cinema, em Lisboa, e construiu uma carreira multifacetada como jornalista, editor, fotógrafo e realizador.
Foi sócio-fundador da produtora Ébano, ao lado de Pedro Pimenta e Licínio Azevedo, tendo mais tarde criado a Promarte. Entre 1980 e 1984, dirigiu o jornal cinematográfico Kuxakanema, inteiramente produzido em Moçambique.
Desde 1986, dedica-se exclusivamente ao cinema, com destaque para Mabata Bata (2018), também inspirado na obra de Mia Couto.
“O cinema é uma forma de escuta e reinvenção da memória colectiva”, disse o realizador.



